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Tuesday, June 2, 2020

| Parte 4 | A Silenciosa Pandemia Mundial - Nós, Os Seres Humanos.

nota: perdoe os erros nesta tradução; não escrevo em português há muitos anos. 

Escrevi esse tributo sem imaginar que perderia uma pessoa muito querida, Renee French, atriz e enfermeira em um hospital em Manhattan. Gostava tanto de ser enfermeira que deixou pra tras uma carreira promissora como atriz. Trabalhou com Spike Lee e Jim Jarmusch's Coffee and Cigarettes e depois de ter tantas ofertas pra outros filmes decidiu se tornar enfermeira. Andávamos de madrugada sozinhos pelas ruas de New York e ela sorria e me dizia sarcasticamente: " Marco, veja como é bom ser famoso. Ninguém nos incomoda." Enquanto bebia seu nauseante café com gelo.



     "Imagine todas os seres humanos, compartilhando o mundo." John Lennon and Yoko Ono





(Um tributo a todas médicas, enfermeiras e funcionárias)
     


| PART 4 |    


| Parte 4 | A Silenciosa Pandemia Mundial - Nós, Os Seres Humanos.



Sozinho, os seres humanos não são ilhas, são vírus. Nós não pertencemos, não temos objetivos comuns, mesmo quando parece que sim. Os seres humanos sabem ficar sozinhos em grupos, distanciando-se de outros considerados menos do que eles: cor errada, roupas erradas, sexo errado, classe social errada, Deus errado. Um vírus mata seu host, mas não planeja fazê-lo, ele serve um código genético belíssimo e interessante, se você dedicar um tempo para estudá-lo. Ele não para até chegar ao topo da colina e, quando a rocha rola até em baixo da colina, um vírus começa novamente de onde parou, sem cansar; como exemplo temos republicanos que usam a pandemia mundial para proibir abortos, contornando, portanto, a decisão da Suprema Corte que garante às mulheres esses direitos; democratas e suas posições absurdas em relação a abortos em gravidez avançadas. Ambos os grupos empurrando suas pedras colina acima, não importa o quê; raciocínios torpe, insensatos e doutrinas incoerentes.

Nossa constituição forjada por preconceitos, paranóia, ganância e o medo da morte; falácias, a pedra angular de nossa discórdia civil.

Uma vez que a comunidade médica tenha o Coronavírus sob controle, iniciaremos uma nova luta contra a pandemia de falsos profetas e políticos; e nossos novos lemas serão VIAJAR & SOCIALIZAR ...

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 EM ALGUM LUGAR ALEM DA PANDEMIA,


os céus são azuis; ou perpetuamente cinza, se você mora em Londres, amarelo-avermelhado em Marrocos e em São Paulo e Pequim, não se consegue ver o céu. Sim, ainda temos coisas que precisamos consertar; mas estamos a caminho. Considerando que não apenas sobrevivemos à pandemia de 1918, mas prosperamos depois disso, era questão de tempo, paciência e diligência para nos adaptarmos aos caprichos da natureza durante a pandemia de 2020.

Aprendemos algumas coisas nos últimos anos; os seres humanos querem explorar e conquistar, mas a natureza nos ensina que nossa única opção é assimilar e adaptar. Hoje em dia, somos um pouco mais humildes e apreciamos uns aos outros. Alguns de nossos hábitos mudaram permanentemente, e não nos incomodamos ao ver alguém usando máscaras em público. As máscaras são fabricadas em cores diferentes para anunciar a todos se você está resfriado, gripado ou com coronavírus e em que estágio do ciclo você está. É incomum ver alguém viajando de metrô ou de avião sem máscara.

Para todos nós, 2020 marcará o tempo em que tudo mudou; parentes, amigos, conhecidos que conhecemos enquanto viajávamos pela Europa e pela Ásia, nos anos anteriores à pandemia, agora desaparecidos para sempre. Amizades perdidas, pessoas que não podemos ver mais e que deixam um vazio tremendo em nossas vidas. 2020 não será o ano em que ficamos dentro de casa, será lembrado como uma mudança em nossa consciência coletiva.

Após a pandemia, ficou muito claro para nós que não podíamos mais confiar em líderes religiosos e políticos. Um movimento começou a tomar forma no início de 2021 e passamos de nos isolarmos em quarentena juntos pela sobrevivência, ao planejamento de um futuro em que, pouco a pouco, o governo começou a perder o controle de nossas vidas. Da mesma forma que a comunidade médica se uniu em todo o mundo para salvar a vida das pessoas, nós nos reunimos e abordamos seriamente as duas principais razões de nossa desconfiança um pelo outro: políticos e falsos profetas, também conhecidos como líderes religiosos. Para ser franco, não precisamos de líderes, precisamos uns dos outros.

Em 2020, os políticos eram fáceis de entender, embora isso não deve ser confundido com falta de poder de aterrorizar a população; conhecer um político significava que você tinha acabado de conhecer uma pessoa tentando determinar como poderia ajudá-la a alcançar seus objetivos. O código genético deles era simples: fazemos parte de um grupo e precisamos de algo; existe um grupo ali que tem e não quer compartilhar conosco; existe outro grupo que não tem e está atrás do que temos. Eleja-me e garanto que você terá o que deseja e, juntos, protegeremos o que é nosso.

Leia isso novamente para ver como essa ideia é estúpida, e ainda assim milhões de pessoas aceitaram isso como uma doutrina. Eu nunca gostei de políticos; toda vez que ouvi um desses tipos falando, o mesmo pensamento passou pela minha cabeça: preciso de uma colher de sopa para ingerir as besteiras que você está vendendo.

A pandemia de 2020 foi um mal necessário, pois finalmente vimos o código genético dos políticos sob uma luz diferente. Quando a comunidade médica faz perguntas geográficas, eles estão tentando determinar que tipo de doenças nos possamos ter sido expostos, com o propósito de salvar nossas vidas. Eles levam a sério o juramento hipocrático. Quando os políticos perguntam a nossa raça, eles estão tentando determinar nossas diferenças, para que possam determinar nossas intolerâncias, para que encontrem um grupo com o qual nos possamos ter um problema, para que eles se apresentem como solução para um problema que nem tínhamos em primeiro lugar; portanto, tudo desenhado para avançar suas agendas.

O ano de 2020 foi o ano em que finalmente entendemos que os políticos invadiram nossas comunidades como vírus invadem nossas células e as mudam por dentro. Portanto, com esse entendimento, reduzimos seus mandatos, exigindo transparência e responsabilidade e os votamos fora dos termos na velocidade da luz, quando eles servem a si mesmos. As reformas que aprovamos nos último cinco anos devido à pandemia de 2020 puseram fim às suas manipulações; agora eles são servidores públicos, seus salários são fixos e, consequentemente, há menos pessoas se apresentando para vida pública. Nós terminamos os termos rapidamente no momento em que eles não atendem ao interesse da comunidade.

Nosso relacionamento com a religião é um pouco mais complicado, porque eles têm algumas partes certas; é somente quando nos vemos como um todo, uma comunidade mundial, que temos a chance de desenvolver uma sociedade saudável e garantir a sobrevivência de nossa espécie. É quando líderes religiosos vendem vida além desta que as coisas começam a ficar confusas. Abusando do nosso medo de morrer; como vírus, eles invadiram nosso subconsciente e nos dividiram em grupos, e exigiram que agíssemos de acordo com suas crenças e dogmas. Nesse ambiente, nossos costumes se chocam, as roupas que vestimos se chocam e os deuses que oramos também sempre têm algo a dizer sobre os outros deuses. Pessoalmente, ainda não encontrei um único Deus inclusivo na história da humanidade; todos os deuses se acham melhores que os outros.

Abandonar a religião e abraçar um Deus amoroso para todos, assim como respeitar e aceitar a fé um do outro, foi a melhor decisão que tomamos como espécie. Mantivemos todos os nossos rituais tradicionais por sua beleza e agora é comum as pessoas participarem das cerimônias religiosas umas das outras em comemoração a Deus e à vida que nos foi dada. Vou a igrejas, sinagogas, templos em comunhão com os outros e, quando fecho os olhos, vejo um filme com minha avó, avô, minha mãe e visito uma garota que amo desde que tinha 9 anos.

Por volta do ano 2025, o mundo se abriu para nós como uma célula. Sem a política e a religião nos dividindo, passamos a viajar por toda parte, conhecendo novas pessoas, comendo sua comida e ouvindo sua música, participando de cerimônias religiosas de outros e orando aos seus deuses; assim como aos nossos. Estima-se que 4,5 bilhões de pessoas estejam fora de seu país de origem todos os dias em um único ano civil. Nosso novo mantra se tornou VIAJAR & SOCIALIZAR ...

O primeiro país que visitei foi o Yemen, uma terra que me fascinou desde que vi a primeira foto de suas montanhas. Shaharah, com suas formas geométricas esculpidas nas montanhas, e sua espetacular passarela do século XVII que une aldeias e atravessam montanhas desafiando a gravidade, mantidas de pé apenas pela graça da matemática. A Ponte dos Suspiros, como é conhecida, ficou diante de mim como um lembrança: que eu estou vivo, que a vida é curta, que eu deveria estar ouvindo uma música. Led Zeppelin's Stairway to Heaven imediatamente me veio à mente, mas antes que eu percebesse Smokey Robinson estava cantando My Girl. Fiquei ali pensando: "Tenho todas as riquezas que um homem pode ter / oh, sim, eu tenho."

Eu visitei Shibam; seus céus de cores neutras que encontram o verde no horizonte e a terra carregada para a frente de nossa mente em seus tons pastel e bege. Edifícios feitos de barro e tom de terra ficando alaranjados por um sol sonolento. Você pode ver suas cores na pintura “Three Reds”, de Brennie Brackett, outro lugar para o qual viajo em meditação.


Sem o conhecimento da pintora, levantei o vaso e troquei o pano branco por um dos trabalhos bordados da minha avó. Ainda a vejo sentada ali, no meio da tarde, na cozinha, bordando silenciosamente. Tao bonito ver a minha a bordando que nem dava vontade de fazer arte. Minha avó era a própria paz.

Shibam, sob a luz do sol, é um local inesquecível. As mulheres de Yemen indo orar e agradecer a uma nova vida, vestidas por sua própria escolha na minha cor favorita,

Preto como flechas que cairam do céu; suas vozes como músicas em voo para sempre guardado no meu coração E mente.

Henry, meu bom companheiro, sempre ao meu lado. Venha, vamos visitar os mosteiros sufis e nos sentar para tomar um café, enquanto seguimos para Meca, Cairo, Istambul, Egito; a trilha do café.

Depois que a religião e a política foram deixadas de lado, tivemos que descobrir uma maneira de chegar a um acordo com nossas diferenças, e conseguimos; simplesmente concordamos que acreditávamos em coisas diferentes. Sim, desconsiderei a complexidade da condição humana, pois era prejudicial para uma solução. Imagine um mundo onde possamos nos libertar das vozes em nossa cabeça, as vozes tentadoras nos dizendo que todos os problemas são derivados de outras pessoas. Se outras pessoas se comportarem da maneira que queremos, tudo ficará bem: “Eu tenho a maneira certa. Estou certo de que seria melhor para todos ”, pensa cada pessoa no mundo inteiro, dando início as atrocities do comunismo e fascismo; poeticamente ilustrado por Jean Paul Sartre in “a rodovia pro inferno é pavimentada com boas intenções.”

Um vírus tem um único programa quando infecta alguém: invade a célula, altera-a, multiplica-se. A menos que seja morto ou mate o host, continuará seu curso de ação sem desvios.

Sei que não somos vírus, mas as vezes nos comportamos como um sem saber; pense em uma pessoa | Parte 3 | apaixonar-se por alguém e se afastar dessa pessoa sem saber o porque por quase 35 anos. Portanto, decidimos nos comprometer com uma única ação que todos seguirão. Cada religião e toda religião está certa, se Deus quer que alguém seja morto, ele sabe como fazê-lo. Nosso acordo é que, pelos cem anos que passamos nesta terra, não nos feriremos. Se Deus decide punir todos nós quando morrermos, que assim seja. Deus nos julgará todos no final. Nos protegemos uns aos outros enquanto estamos aqui.

De todas as pessoas do mundo, se as pessoas religiosas estiverem certas, não haverá perdão para as pessoas como eu, sem fé, os ateus. Estou disposto a arriscar esse destino se todos colocarem suas malditas armas no chão; compartilhar o pão, um pouco de café. Eu bebo chá, se é isso que é necessário a paz.

Outra lembrança de infância, Karla, que voce deve saber de cor ja que nunca perdeu sua fé.

O pão da vida a comunhão
Nos liga as Cristo e aos irmãos.
E nos ensina a...

Falando em pão me lembrei desse refrão, não lembro de mais nada, somente essa frase, mas adoro a melodia e nunca esqueci dessa musica. Talvez se eu soubesse o que nos ensina seria um pouco mais feliz.

Levei muito tempo para escrever a | PART 4 |. Eu li várias vezes, e a única nota que a tecla do meu piano tocava alto e repetidamente era:

a condição humana, a condição humana, a condição humana


Pensei em pedir entendimento a Deus, exceto que não acredito que Ele exista; então eu fui ver uma garota que eu amo quando eu tinha 9 anos. Fiquei lá por um bom tempo. Pensando. Ela me pegou olhando: "Olhos no quadro, Marco Aurélio." ela gesticulou para mim e eu fiz o que ela me disse para fazer. Eu sempre ouvia todas as palavras que ela dizia. Tia Zélia estava enumerando as respostas disponíveis para nós; e quando a tia Zélia escreveu o número 2 no quadro, correspondendo à segunda resposta, Karla Maria chamou minha atenção novamente. A luz que vinha da janela, ricocheteando em seus cabelos, era deslumbrante. O número 2. Luz. Partículas. Viajando. Uma criança de 9 anos. Amor.

Deus, como tudo isso se encaixa?

a condição humana, a condição humana, a condição humana

É ridículo pensar em um acordo simples que nos permita compartilhar este mundo em paz e cooperação,

a condição humana, a condição humana, a condição humana

É ingênuo pensar em um acordo simples que nos permita compartilhar este mundo em paz e cooperação,

a condição humana, a condição humana, a condição humana

Olhei para Karla novamente, sorrindo por alguma coisa, e tudo ficou em câmera lenta, a velocidade quase parada por sua beleza. Pensei em Newton e na época em que ele esqueceu de ouvir sua criança interior e confundiu amor com um éter; até que outro garoto de 9 anos de idade apareceu seguindo um raio de luz, possuindo apenas a imaginação de uma criança e alguns números e letras. E = mc²

Os especialistas examinaram suas roupas, sua posição na sociedade, seu judaísmo, procurando uma maneira de descartar a simplicidade imaginativa de sua idéia. A matemática não é dissuadida pela política, religião ou condição humana; sustenta suas verdades e mantém nosso universo material no lugar, não impressionada com os monumentos egóticos que criamos para nós mesmos.

Pensei no esperanto, a idéia mais bonita e simples de uma linguagem universal e, no entanto, ninguém aceitou. Eu sei exatamente o porquê. Gostamos de nós mesmos do jeito que somos: gostamos de nossa herança, nossa cultura e da maneira como nosso nome soa quando é chamado por alguém que nos ama e nos aceita. Nós gostamos da nossa música, pão e manteiga, café, chá. Gostamos do que gostamos, e a única maneira de tudo isso funcionar é aceitar e compartilhar.

Nosso nome é a primeira nota musical que ouvimos de nossas mães e pais e se torna nossa música. A trilha sonora que codifica nossa programação de vida.

As experiências que temos nos tornam únicos e representam o lugar específico de onde viemos. Você não pensaria em construir uma casa na Califórnia com os mesmos materiais que eles usam em Niterói. Você não pensaria em nunca mais ouvir o idioma italiano ou francês ou nunca mais ver o majestoso script árabe em papel branco; como poderíamos substituir isso pelo esperanto? A lingua portuguesa tem Iracema, Camões, coisas somente nossas. Guimarães Rosa até escreveria em Esperanto mas Nélson Rodrigues em Esperanto seria como Sidney Magal cantando ópera, uma blasfêmia. Ferve até o sangue em pensar nisso.

Nós somos diferentes. Nós gostamos de coisas diferentes. Nós acreditamos em deuses diferentes. Ou Deus algum. Vamos concordar com isso e compartilhar nossas crenças em comunhão.

Enquanto você lê isso, milhões de médicos em todo o mundo estão por aí arriscando suas vidas para salvar nossos entes queridos. Eles não vêem cor, credo ou a própria morte. Eles estão arriscando as únicas vidas que têm porque a tecla do piano deles toca uma simples nota repetidamente ...

o juramento hipocrático o juramento hipocrático

     Três palavras. Uma ideia simples. Um acordo universal. O suficiente para fazer com que médicas, enfermeiras e funcionárias arrisquem sua única existência para nós. No mundo todo. Como fez a minha querida Renee.

                                                    




Coffee and Cigarettes - Renee


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